Nutrição Infantil

Desnutrição e seus efeitos sobre o sistema imune de crianças

Os micronutrientes, embora requeridos em pequenas quantidades, são substâncias essenciais para a manutenção do organismo, atuando nos mecanismos de replicação celular, crescimento e desenvolvimento dos sistemas fisiológicos, além de participarem de maneira decisiva na modulação da resposta imune. 

 

As causas de sua deficiência podem estar relacionadas tanto com a ingestão inadequada, quanto com a associação a doenças específicas. As crianças constituem um dos grupos mais vulneráveis da população, uma vez que são expostas a situações de alto risco para problemas nutricio­nais durante seu crescimento. 

 

A desnutrição energético-proteica (DEP) é a causa mais comum de imunodeficiência secundária, sendo definida como uma condição patológica resultante de baixa ingestão de macro e micronutrientes, acometendo frequentemente crianças menores de cinco anos. A deficiência de micronutrientes durante a infância pode induzir a déficits na maturação biológica, principalmente dos sistemas nervoso e imune, podendo acarretar disfunções imunológicas e aumento na suscetibilidade a infecções. 

 

Ao nascer, o sistema imune é imaturo e seu desenvolvimento está diretamente relacionado aos nutrientes, podendo a resposta específica aos patógenos e agentes estar alterada pela desnutrição. O cobre desempenha papel importante na maturação dos tecidos linfoides. Atua também como cofator para a enzima superóxido dismutase (SOD), enzima chave na defesa antioxidante. 

 

Os baixos índices de cobre podem levar ao excesso da produção de radicais livres, ocasionando danos no DNA nuclear e mitocondrial, na membrana lipídica celular e nas proteínas intracelulares, culminando na morte celular, o que contribui para a formação de edema em crianças desnutridas. 

 

O zinco é necessário à reprodução, diferenciação celular, crescimento, desenvolvimento, reparação tecidual e defesa imunológica, além de ser constituinte de enzimas que participam do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas e da síntese e degradação dos ácidos nucléicos. No sistema imune, o zinco desempenha papel fundamental no processo de transcrição, tradução e replicação do DNA. Além disso, há o comprometimento do processo de fagocitose realizado por macrófagos e neutrófilos na lise celular mediada pelas células NK e na atividade antioxidante da SOD. 

 

O magnésio atua como cofator em mais de 300 reações metabólicas, como no metabolismo energético e proteico, glicólise e síntese de adenosina trifosfato. Atua, ainda, na estabilidade da membrana neuromuscular e cardiovascular e como regulador fisiológico da função hormonal e imunológica, agindo tanto durante a resposta imune inata, quanto durante a adquirida. Portanto, as alterações desencadeadas pelos déficits séricos dos minerais, cobre, zinco e magnésio comprometem o funcionamento do sistema imunológico, podendo ocasionar um estado de imunossupressão, sendo indispensável a reposição dessas substâncias durante o tratamento, a fim de melhorar a resposta imune.

 

Por isso, temos que cuidar de forma adequada da alimentação das nossas crianças, ofertando sempre frutas, legumes e verduras, para que possam receber da alimentação, a fonte de nutrientes necessárias para o bom funcionamento do seu organismo.