Nutrição Clínica

Nutrição em tempos de COVID-19

 

Assim como para os adultos, o cuidado com a alimentação das crianças e adolescentes deve ser contínuo, independentemente de estarem com alguma doença ou não. Uma dieta variada que inclua os diferentes grupos como frutas, hortaliças, proteínas (de fonte animal e vegetal) carboidratos e gorduras em porções balanceadas é o ideal.

Na vigência de infecção, a atenção deve ser redobrada para a ingestão destes grupos alimentares, uma vez que pode haver indisposição geral, maior seletividade e diminuição do paladar e do apetite, levando a dietas monótonas e, por vários aspectos metabólicos, à dificuldade de absorção de nutrientes.

 

Poderá haver maior consumo interno dos nutrientes ou mesmo excesso de ingestão por maior sedentarismo.

 

A baixa exposição aos raios ultravioleta pode causar ou agravar a deficiência de vitamina D. Portanto, deve-se dar atenção especial àqueles alimentos que atuam na manutenção e/ou fortalecimento da imunidade.

 

Alguns exemplos de nutrientes essenciais: zinco (importante para o sistema imunológico, crescimento, desenvolvimento e capacidade gustativa), ferro (a deficiência pode alterar o paladar, prejudicar as defesas antioxidantes e determinar cansaço e irritabilidade), selênio (antioxidante), magnésio, vitaminas do complexo B (coenzima de várias funções enzimáticas), vitamina C (atua na imunidade e como antioxidante), vitamina E (antioxidante), vitamina A (regeneração de epitélios e mucosas, imunidade celular e humoral), vitamina D (diminui a hiper-reatividade brônquica, melhora a imunidade).

A deficiência de ingestão, absorção ou aproveitamento destes nutrientes contribui para a deficiência do sistema imunológico com consequente aumento do risco de adoecer e de agravar doenças existentes.

 

Quais alimentos contemplam as necessidades?

 

• Leite materno: é importantíssimo continuar a amamentação. Na impossibilidade do leite materno, utilizar uma fórmula infantil própria para a idade;

• Leite e derivados para crianças maiores e adolescentes: proteína, vitamina A, cálcio, fósforo, vitamina B2;

• Carnes (bovina, suína, aves, etc.): proteína, ferro, zinco, selênio, vitamina B12 e complexo B, vitamina A;

• Peixes (atum, sardinha): proteína, ômega 3, vitamina D, cálcio;

• Ovos: proteína, vitamina E, vitamina D;

• Oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas): selênio, magnésio, vitamina E;

• Hortaliças (verduras e legumes): complexo B, vitamina C, vitamina E, vitamina A, magnésio, folato;

• Frutas: vitaminas A e C, minerais, fibras;

• Leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico): proteína vegetal, ferro;

• Óleos de soja e canola e azeite: energia, ômega 3, vitamina E.

 

Como higienizar os alimentos?

 

Inicialmente, lave bem as mãos com água e sabão, durante 20 a 30 segundos (lembre-se de limpar antebraço, unhas e punhos).

Em seguida, remova as folhas externas e raízes das folhas, lave com água corrente, deixe em imersão por 15 minutos em água com hipoclorito de sódio a 2,5%, (água sanitária sem perfume, desinfetante ou alvejante) diluindo uma colher de sopa de hipoclorito para um litro de água (caso o hipoclorito seja a 1,0%, usar 2 colheres de sopa para um litro de água).

 

O mesmo deve ser feito para verduras sem folhas e legumes.

 

Passe novamente em água corrente.

 

Para reduzir a contaminação por agrotóxicos, pode ser usado o bicarbonato de sódio a 1% (uma colher de sopa para um litro de água), deixar em imersão por 15 minutos. Lavar em água corrente. Secar com papel toalha e pode consumir ou guardar na geladeira.

 

Nesses tempos de pandemia, as embalagens que chegam de fora da casa devem ser higienizadas com álcool em gel a 70% ou em liquido a 70% (cuidado por ser inflamável). Retirar os alimentos que possam ser guardados em outras embalagens ou higienizar individualmente como descrito. Após a limpeza dos produtos, lavar as mãos novamente.

 

Como higienizar as superfícies de contato do ambiente e utensílios domésticos?

 

Utilizar solução de hipoclorito de sódio (ou água sanitária sem alvejante, perfume ou desinfetante – 25mL de água sanitária e 1L de água) para limpeza das superfícies ou álcool gel a 70%. O uso do álcool líquido a 70% também é permitido, mas com muito cuidado por ser inflamável, ou seja mantê-lo longe das crianças.

Não se esquecer de higienizar torneiras, portas de geladeiras, armários e outros locais de uso comum.

Também pode passar nos sapatos, incluindo as solas.

 

Outros pontos importantes:

 

• Consumir água. A hidratação adequada contribui para o bom funcionamento do corpo;

• Praticar atividade física, mesmo que tenha pouco espaço em casa;

• Garantir horas adequadas de sono: um corpo cansado fica mais susceptível a doenças;

• Manter uma rotina alimentar regular, com horários pré-estabelecidos;

• Evitar alimentos que contenham excesso de sódio, açúcar e gordura.

 

Conclusão

 

Portanto, a ingestão adequada dos grupos alimentares, é suficiente para manter a saúde, não sendo necessárias suplementações na maioria dos casos.

O pediatra nutrólogo e o nutricionista qualificados podem contribuir com estas orientações.

 

 

Referências bibliográficas

 

Departamento Científico de Nutrologia. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de alimentação. 2018. – Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção a Saúde. Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos. Brasília.

 

Ministério da Saúde. 2019. Nutrição em tempos de COVID-19 4

 

Conselho Federal de Química. Esclarecimentos sobre álcool gel caseiro, limpeza de eletrônicos e outros. Disponível em http://cfq.org.br/noticia/nota-oficial-esclrecimentos-sobre-alcool-gel-casiero-higienizacao-de-eletronicos-e-outros/#.Xnukt8kpbiE.whatsapp Acessado em março 2020.

 

Conselho Federal de Química. Solução caseira para eliminar o coronavirus em casa. http://cfq.org.br/wp-content/uploads/2020/03/SOLUCAO-CASEIRA-DE-AGUA-SANITARIA-CONTRA-O-CORONAViRUS-1.pdf Acessado em março 2020.

 

Weffort VRS; Lamounier JA. Nutrição em pediatria: da neonatologia á adolescência. 2ª e. Manole. Barueri. 2018.