Nutrição Funcional

Esteatose Hepática & Nutrição Funcional

Desde o início do século XX surgiram 80 mil novas substâncias químicas e pouco se sabe quanto à segurança da maior parte delas para o nosso organismo. Nos dias atuais, todas as pessoas estão expostas a toxinas externas, advindas do meio ambiente, e toxinas internas, derivadas do nosso próprio metabolismo. Entre as toxinas externas estão toxinas químicas como os compostos orgânicos voláteis presentes em solventes (materiais de limpeza), medicamentos, álcool, pesticidas e aditivos alimentares. Além desses, estão também os metais pesados como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico, níquel e alumínio, presentes em embalagens, tintas, combustíveis e peixes. Já as toxinas internas incluem bactérias, fungos e produtos derivados do metabolismo normal das proteínas (ureia e creatinina). O aumento da microbiota patogênica no intestino produz endotoxinas que irão provocar inflamação e estresse oxidativo, afetando ainda mais o fígado.

Por isto, o processo de destoxificação é um dos pontos cruciais tratados pela Nutrição Funcional, que busca, por meio de estratégias nutricionais individualizadas, o equilíbrio do funcionamento hepático para adequada eliminação das toxinas que produzimos pelo metabolismo e as quais estamos expostos diariamente.

O fígado é um dos maiores órgãos do corpo humano, contribuindo com cerca de 1/50 do peso corporal total, aproximadamente 1,5 kg. Cerca de 1350 mililitros de sangue fluem a cada minuto pelas células do fígado, os quais exercem função de controle do metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas; armazenamento de vitaminas e minerais como ferro; produção de bile, essencial para digestão de lipídios; síntese e metabolismo de colesterol, estrógenos, testosterona; remoção e excreção de drogas, álcool e substâncias diversas (fármacos e toxinas). Assim, todo esse aumento de carga tóxica irá sobrecarregar as funções de destoxificação do órgão, ou seja, a eliminação das toxinas ficará reduzida, o que acarreta em armazenamento das mesmas no tecido adiposo, ossos, no cérebro e no próprio fígado.

 

O acúmulo de toxinas no fígado irá provocar o desequilíbrio de suas funções, gerando estresse oxidativo e inflamação, contribuindo para o desenvolvimento de patologias como esteatose hepática, uma doença caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células hepáticas, que pode evoluir para um quadro de cirrose hepática ao longo dos anos, comprometendo o bom funcionamento do órgão.

 

A nutrição correta irá fornecer todas as armas para que o fígado consiga eliminar essas substâncias nocivas. Os glicosinolatos, compostos bioativos presentes nas brássicas (repolho, couve-flor, couve-manteiga, brócolis, agrião, rúcula), possuem a capacidade de acelerar a eliminação de substâncias estranhas pelo fígado. Assim como os glicosinolatos, outros componentes como a curcumina presente no açafrão, flavonoides presentes no alecrim e as catequinas do chá verde possuem um elevado efeito antioxidante e anti-inflamatório, o que irá auxiliar na destoxificação hepática. Ainda, vitaminas e minerais, presentes em frutas, legumes, verduras e alimentos integrais são essenciais para esse processo adequado. Importante ressaltar a importância do consumo de alimentos orgânicos, pois são livres de agrotóxicos, substâncias químicas altamente tóxicas e que prejudicam diretamente o funcionamento e a capacidade de destoxificação do fígado.

 

Dessa forma, ainda que não seja possível fugir do progresso, é importante que tenhamos em mente que muitos alimentos estão contaminados por substâncias químicas e que uma alimentação in natura, ou seja, sem alimentos industrializados e aditivos alimentares, é uma forma de pelo menos reduzir a carga tóxica ao fígado. Assim, devido a grande quantidade de toxinas que estamos expostos diariamente, é de extrema importância que tenhamos uma alimentação equilibrada e saudável, que forneça todos os nutrientes necessários para dar o suporte adequado ao fígado, reduzindo os riscos de intoxicação e doenças associadas.

 

Referências Bibliográficas:

 

1.HYMAN, M. Ultrametabolismo. 1ª ed, Sextante, Rio de Janeiro, 2007.

 

2.GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10ª ed, Elsevier, São Paulo, 2005.

 

3.PASCHOAL, V.; NAVES, A.; DA FONSECA, A. B. B. L. Nutrição Clínica Funcional: dos princípios à prática clínica. 1ª ed., VP Editora, São Paulo, 2007.

 

4.YOSHIDA, K. et al. Broccoli sprout extract induces detoxification-related gene expression and attenuates acute liver injury.Wourld Journal Of Gastroenterology; 21(35): 10091–10103, 2015.

 

5.BOGDANOS, D. P.; GAO, Bin; GERSHWIN, M. Eric. Liver Immunology. Comprehensive Physiology; 3(2): 567–598, 2014.